“Lua Vermelha” traz uma sonoridade intensa e cinematográfica. Qual foi o processo criativo por trás desta faixa - desde a ideia inicial até à gravação final?
“Lua Vermelha” nasceu de um impulso muito visceral, uma tentativa de transformar tensão emocional em som.
Durante o processo, quisemos manter essa sensação de instabilidade e libertação: camadas de guitarras em feedback, vozes que oscilam entre fragilidade e raiva, e uma produção que mistura o rock alternativo com elementos cinematográficos e dreamcore.
A gravação final foi pensada para capturar a energia crua do momento, sem polir demasiado o caos.
Vocês têm vindo a trabalhar em português recentemente. O que mudou no vosso processo criativo e na interação com o público ao cantar em português?
Cantar em português mudou tudo. A língua trouxe uma clareza emocional que sentimos faltar antes. Há uma proximidade quase física entre as palavras e o som. O português tem uma textura própria que encaixa bem no tipo de música alternativa pesada que fazemos.
O público também reage de forma diferente: há mais identificação, mais partilha, e uma ligação direta entre o que dizemos e o que sentimos. É um espelho sem filtros.

A estética visual é muito presente no vosso projeto - dreamcore, atmosferas visuais, elementos cinematográficos. Como criam essa imagem e que papel acham que a componente visual tem na música pesada alternativa?
A estética de CHOKEPOINT é uma extensão do som…tudo parte da mesma emoção. Trabalhamos com uma lógica multissensorial, em que cada imagem, cor ou glitch visual tem uma função narrativa.
O dreamcore e a estética digital ajudam-nos a criar uma espécie de universo paralelo, onde cada faixa é um fragmento de uma história maior.
Acreditamos que o visual é tão importante como o som: é o que transporta o público para dentro da experiência, algures entre o colapso e a catarse.
O single “Lua Vermelha” parece representar uma nova fase dos CHOKEPOINT. Que expectativas têm para este lançamento? Há concertos/colaborações planeadas ou outras surpresas que os fãs devem antecipar?
“Lua Vermelha” marca o início de uma nova narrativa dentro do nosso universo. É o primeiro sinal do ep conceptual, e funciona como um portal para esse novo ciclo.
Temos concertos planeados e algumas colaborações a ser preparadas. Queremos expandir o conceito para o palco e para experiências audiovisuais imersivas.
Mais do que expectativas, temos vontade de criar impacto. Este single é o primeiro glitch de um sistema emocional em reconstrução.
O vosso álbum conceptual dreamcore.exe já foi mencionado. Podem contar-nos um pouco mais sobre o conceito: o que significa “ficheiros emocionais corrompidos” e como isso se vai refletir nas músicas que vêm a seguir?
“dreamcore.exe” é uma exploração de memórias danificadas e emoções arquivadas. A ideia dos “ficheiros emocionais corrompidos” vem da sensação de reabrir partes de nós que foram esquecidas, distorcidas ou reprimidas.
Cada música representa um fragmento desse processo, uma tentativa de recuperar o que foi perdido entre o ruído.
O álbum mistura melodia e dissonância, beleza e glitch, criando um espaço onde o erro se torna arte.
Vocês vêm com background em “Sleep Therapy”. Que aprendizagens desse passado trouxeram para esta nova fase? Há algo que gostariam de fazer diferente agora?
Sleep Therapy foi o nosso laboratório. Aprendemos muito sobre composição, coesão e performance.
Com CHOKEPOINT quisemos libertar-nos de qualquer limitação estética. Trouxemos o que era essencial: a intensidade e o compromisso emocional.
Agora, há mais consciência de quem somos e do que queremos expressar. Menos perfeição, mais verdade.

Existem bandas emergentes ou projetos de música alternativa que admiram particularmente e que tenham inspirado alguma parte de “Lua Vermelha” ou do álbum que está para sair?
Inspiram-nos projetos que desafiam as fronteiras entre o som e o conceito, tanto dentro como fora do rock/metal.
Inspiram-nos as bandas alternativas portuguesas que têm (ou tinham) uma força criativa incrível (Linda Martini, More Than a Thousand), e também referências internacionais como Deftones, Loathe, SleepToken, Turnstile, entre outros que continuam a explorar o peso com emoção.
Mas mais do que influências diretas, inspira-nos a vida real. É daí que vem a energia.
O que vos motiva a manter a intensidade do metal alternativo num mercado onde nem sempre esse tipo de música recebe visibilidade? E como é que o vosso trabalho de comunicação e assessoria de imprensa contribui para ultrapassar esse obstáculo?
Porque essa intensidade existe. O metal alternativo e o rock pesado em português são formas de expressão que nos permitem lidar com o que é difícil de dizer de outro modo. Não seguimos tendências, seguimos impulsos.
Acreditamos que há sempre espaço para a verdade. E é aí que o nosso trabalho de comunicação e identidade visual entra: mostrar que a música pesada pode ser emocional, estética e relevante.
Se tivessem de definir “Lua Vermelha” com apenas três palavras, quais seriam?
Colapso. Renascimento. Verdade.
24-10-2025