VENGEFUL FATE

O EP LOW BLOW surge após cerca de dois anos de atividade intensa. Sentem que este trabalho representa exatamente aquilo que os Vengeful Fate são hoje ou é apenas o primeiro capítulo de algo maior?

É apenas o primeiro capítulo. Representa-nos, sim - estas canções são parte da nossa identidade, do que fomos, somos e seremos, mas são só o primeiro passo. São as primeiras músicas que fizemos em conjunto, e o começo de algo muito maior. As próximas canções, guardadas para o próximo álbum, são o resultado do amadurecimento artístico que sofremos nos últimos dois anos.

Ao longo das cinco faixas encontram-se elementos de nu metal, metal alternativo, hardcore e até algumas influências grunge. Como foi o processo de encontrar uma identidade própria dentro destas referências?

Bastante simples, na verdade. São referências dos três, estilos que adoramos, e a união dos nossos gostos, diferentes mas com algum overlap. Foi o que criou a nossa identidade, que até consideramos bem única.

"Hear The Wolves" foi o primeiro tema revelado ao público. Porque escolheram esta música para apresentar o EP e que reação receberam desde o seu lançamento?

É a canção que define os nossos primeiros tempos juntos. Foi a primeira canção em que percebemos que tínhamos algo mesmo especial nas nossas mãos. Desde que a lançámos, a reação foi muito positiva. Há quem nos tenha dito que é a canção que nos define - e, tendo em conta as faixas do EP, tendemos a concordar, e até a levar como um elogio. Gostamos bastante da “Hear the Wolves”.

As letras de LOW BLOW parecem funcionar quase como um diário emocional, abordando conflitos e mudanças pessoais. Até que ponto existe uma componente autobiográfica nas vossas composições?

O Gonçalo, nosso guitarrista e vocalista, é quem escreve a maior parte das nossas letras. Sem dúvida, ele retira das suas experiências pessoais para compor estas letras, como qualquer outro artista. LOW BLOW é um golpe baixo, e grande parte da linha que une as canções do EP é a fúria e a devastação de ser injustiçado - por um sistema político, por um amante, por um familiar, e até pelo próprio.

Os Vengeful Fate cresceram numa lógica totalmente DIY. Quais foram os maiores desafios de construir uma banda de forma independente em Portugal nos dias de hoje?

Ser lançados aos lobos. Marcar concertos, especialmente com o infeliz número decrescente de espaços de música ao vivo no país, é um gigantesco desafio. Mas temos tentado, e, sinceramente, temos conseguido fazer uns eventos fixes, e a sorte de poder tocar com bandas fantásticas do meio.

A vossa presença nas redes sociais tem sido marcada por uma abordagem descontraída e próxima do público. Consideram que, para uma banda emergente, esta ligação direta é hoje tão importante quanto a música em si?

Depende muito de banda para banda, da abordagem que as bandas querem ter. Nós achamos que este tipo de marketing faz sentido com a imagem que queremos ter, com a relação com o público que queremos construir.

Depois de dois anos a tocar regularmente no circuito underground, que evolução sentem na resposta do público aos vossos concertos?

Tem sido constantemente e regularmente positiva, pensamos. Já crescemos alguma fanbase e público regular, o que nos orgulha bastante.

Muito se fala da renovação do metal português através de bandas jovens. Como veem o estado atual da cena nacional? Sentem que existe espaço para uma nova geração se afirmar?

A cena atual é excelente. A nova geração não tem de se afirmar - ela vai afirmar-se. É o nosso tempo. O metal tuga morre se estagna, e as bandas emergentes de metal estão a mostrar que não vai estagnar, que não vamos deixar isso acontecer.

Há quem diga que o público do metal continua a ser mais unido e solidário com as bandas nacionais do que outros segmentos da música pesada e do rock. Concordam com essa ideia? Qual tem sido a vossa experiência?

Concordamos, e temos tido experiências essencialmente positivas - as negativas contam-se pelos dedos. Há proximidade, amor à causa e dedicação que nos une. Um profundo gosto por este tipo de música, e a união na dissidência que o metal, por natureza, representa.

Sendo uma banda de uma geração mais jovem, que aspetos acreditam que podem trazer de novo ao metal nacional, tanto musicalmente como na forma de comunicar com o público?

Criatividade, novas sonoridades, alteração de paradigmas e de mentalidades. Queremos tirar a quadradice ao metal nacional.

Com o lançamento de LOW BLOW concluído, quais são os próximos objetivos dos Vengeful Fate para o que aí vem: mais concertos, novos singles ou já o início da preparação de um álbum de longa duração?

Muitos mais concertos, muitos mais eventos. Quanto a próximos passos, já temos o próximo álbum composto em pré-produção - só falta gravar. Vamos lançar uns singles antes, mas serão todos incluídos no próximo disco, que vai refletir muito mais profundamente quem somos atualmente, que tipo de música gostamos e queremos fazer, e aquela que é a nossa mensagem: a cena de metal tuga não é só trashalada de cotas azeiteiros.

23-06-2026

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